sábado, 12 de dezembro de 2009

O QUARTO DA LUA

Ontem à noite conheci um lugar mágico, daqueles que nos descrevem nos romances ou em filmes mas que muito, muito raramente conhecemos ao vivo. Refiro-me a um espaço em Campo de Ourique chamado O QUARTO DA LUA. Ontem era noite de "contar histórias"... A anfitriã, a Liliana, filha da Helena Dias (uma das minhas amigas vivas mais antigas) revelou-se-me dum poder de comunicação notável (que actriz, meus deuses!) e abriu a noite com uma história deliciosa que desde logo me foi criando apetência de tambem contar. Depois e sem depreciar os óptimos vários contadores que se foram sucedendo, um endiabrado italiano (que quero ouvir muitas vezes) mostrou-nos uma outra forma de contar histórias duma forma divertidíssima que arrancou sucessivas gargalhadas na assistência que lotava absolutamente a sala(Liliana tens que começar a pensar num espaço maior). Mas tudo isto poderia ficar por esta apreciação delicodoce, cheia da ternura que o convívio com amigos que amo poderia inspirar, não fosse o facto do ar que ali se respira. Não fossem as muitas vibrações positivas que ali se sentem. Não fosse o desejo imenso com que dali saí de participar, de fazer parte, de ter que estar de qualquer forma naquele projecto. Obrigado, Lena, por me teres convidado a lá ir e parabéns Liliana por teres conseguido um lugar mágico que passarei a recomendar vivamente a toda a gente. Já agora o QUARTO DA LUA é na Rua Almeida e Sousa, 25 - cave
P.S. - e obrigado por me teres posto em contacto com o nosso querido ausente/presente...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

SEXTA-FEIRA 13

Dei comigo a descobrir que é 6ªfeira 13… Em tempos, como qualquer bom homem do espectáculo que se preza, esta era uma das minhas principais superstições. Depois fui percebendo que tinha passado de moda ser supersticioso e, naturalmente, deixei de o ser (embora nem ter sido nem ter deixado de ser tenham nunca colaborado em nada para a minha felicidade). Mas hoje eu tinha uma reunião de extrema importância em que ía ser decidido o meu futuro profissional imediato e ao ocorrer-me que era 6ª 13 houve um cliquezinho, muito ligeiro mas perceptível. E entrei para a reunião com uma vontade enorme de a adiar. Mas não adiei e ainda bem! Correu lindamente e já posso tranquilamente anunciar que daqui a dias passo a ser um dos responsáveis pela cultura ( nomeadamente pelo teatro ) na freguesia de Campolide. Conclusão: VIVAM AS 6ªs FEIRAS 13! ABAIXO AS SUPERSTIÇÕES!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

HOJE UM POEMA

Balada do Poema que não Há
Quero escrever um poema
Um poema não sei de quê
Que venha todo vermelho
Que venha todo de negro
Às de copas às de espadas
Quero escrever um poema
Como de sortes cruzadas

Quero escrever um poema
Como quem escreve o momento
Cheiro de terra molhada
Abril com chuva por dentro
E este ramo de alfazema
Por sobre a tua almofada
Quero escrever um poema
Que seja de tudo ou nada

Um poema não sei de quê
Que traga a notícia louca
Da história que ninguém crê
Ou esta afta na boca
Esta noite sem sentido
Coisa pouca coisa pouca
Tão aquém do pressentido
Que me dói não sei porquê

Quero um poema ao contrário
Deste estado que padeço
Meu cavalo solitário
A cavalgar no avesso
De um verso que não conheço

Que venha de capa e espada
Ou de chicote na mão
Sobre esta noite acordada
Quero um poema noitada
Um poema até mais não

Quero um poema que diga
Que nada há que dizer
Senão que a noite castiga
Quem procura uma cantiga
Que não é de adormecer

Poema de amor e morte
No reino da Dinamarca
Ser ou não ser eis a sorte
O resto é silêncio e dor
Poema que traga a marca
Do Castelo de Elsenor

Quero o poema que me dê
Aquela música antiga
Da Provença e da Toscânia
Vinho velho de Chianti
Com Ezra Pound em Rapallo
E versos de Cavalcanti
Ou Guilherme de Aquitânia
Dormindo sobre um cavalo

E com ele então dizer
O meu poema está feito
Não sei de quê nem sobre quê

Dormindo sobre um cavalo

Quero o poema perfeito
Que ninguém há-de escrever
Que ele traga a estrela negra
Do canto e da solidão
Ou aquela toutinegra
De Camões quando escrevia
Sôbolos rios que vão

Que venha como um destino
Às de copas às de espadas
Que venha para viver
Que venha para morrer
Se tiver que ser será
E não há cartas marcadas
Só assim poderá ser
O poema que não há

Manuel Alegre, in "Babilónia"

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

ÀCERCA DO PLENÁRIO DE ONTEM

Entendo perfeitamente que a frustração deixada pelos fracos resultados das autárquicas levem à tentação fácil de despejar amarguras pessoais e até à tentativa de responsabilizações. Entendo perfeitamente… Mas já não entendo que depois de todo este tempo que já tivemos de reflexão, se continuem a lamber feridas ao invés de as deixar cicatrizar. Não entendo que se criem situações de oportunismo para ataques pessoais mal disfarçados e até, nalguns casos, para auto-desculpabilizações de atitudes e de tomadas de posição ( a meu ver ) indesculpáveis. É por demais evidente que terá que ser feita uma análise muito profunda de causas-efeito. É por demais evidente que ( eventualmente ) errámos nalgumas estratégias. Mas o que importa é estar de peito aberto, de militância activa, de vontade mais forte que nunca para as batalhas que aí vêm. E é precisa humildade para assumir a necessidade da aprendizagem autárquica que nunca fizemos e urge ser feita. È fácil criticar mas devemos lembrar-nos que a crítica só faz sentido quando é construtiva. Treinadores de bancada já chegam no futebol…!

Paulo césar

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

CAFÉ-CONCERTO NO CHAPITÔ

No próximo Janeiro vou estar no Chapitô a fazer um espectáculo de café-concerto.
O título já encontrei: POLÍTICAMENTE “IN”CORRECTO…
Agora peço e aceito ideias, pistas ou o que mais vos aprouver propor-me, já que tenho que escrever o texto até ao fim de Novembro
paulo cesar

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

PAULATINAMENTE

É curioso: olho pela janela e vejo o brilho radioso dum magnífico sol de Outono mas aqui, dentro do peito, chove, chove a cântaros.
E, de repente, é já tanta a água desta estranha chuva, que começa a sair-me pelos olhos e dou comigo num desgraçado pranto, qual criança a quem tiraram o brinquedo favorito. Instintivamente limpo as lágrimas mas, afinal, elas não estão lá.
Mas eu sinto-as, porra. Vou ao espelho e vejo-as a cair em cascatas de dissabor.
E outra vez levo as mãos aos olhos no instinto de as tirar dali.
E outra vez descubro uns olhos secos. Acabo por perceber que estou apenas a viajar entre dimensões e que numa delas solto as emoções enquanto noutra as vou racionalizando.
Definitivamente hoje não é dia de escrevinhações.
Fica para amanhã.
Paulo césar