sexta-feira, 13 de novembro de 2009

SEXTA-FEIRA 13

Dei comigo a descobrir que é 6ªfeira 13… Em tempos, como qualquer bom homem do espectáculo que se preza, esta era uma das minhas principais superstições. Depois fui percebendo que tinha passado de moda ser supersticioso e, naturalmente, deixei de o ser (embora nem ter sido nem ter deixado de ser tenham nunca colaborado em nada para a minha felicidade). Mas hoje eu tinha uma reunião de extrema importância em que ía ser decidido o meu futuro profissional imediato e ao ocorrer-me que era 6ª 13 houve um cliquezinho, muito ligeiro mas perceptível. E entrei para a reunião com uma vontade enorme de a adiar. Mas não adiei e ainda bem! Correu lindamente e já posso tranquilamente anunciar que daqui a dias passo a ser um dos responsáveis pela cultura ( nomeadamente pelo teatro ) na freguesia de Campolide. Conclusão: VIVAM AS 6ªs FEIRAS 13! ABAIXO AS SUPERSTIÇÕES!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

HOJE UM POEMA

Balada do Poema que não Há
Quero escrever um poema
Um poema não sei de quê
Que venha todo vermelho
Que venha todo de negro
Às de copas às de espadas
Quero escrever um poema
Como de sortes cruzadas

Quero escrever um poema
Como quem escreve o momento
Cheiro de terra molhada
Abril com chuva por dentro
E este ramo de alfazema
Por sobre a tua almofada
Quero escrever um poema
Que seja de tudo ou nada

Um poema não sei de quê
Que traga a notícia louca
Da história que ninguém crê
Ou esta afta na boca
Esta noite sem sentido
Coisa pouca coisa pouca
Tão aquém do pressentido
Que me dói não sei porquê

Quero um poema ao contrário
Deste estado que padeço
Meu cavalo solitário
A cavalgar no avesso
De um verso que não conheço

Que venha de capa e espada
Ou de chicote na mão
Sobre esta noite acordada
Quero um poema noitada
Um poema até mais não

Quero um poema que diga
Que nada há que dizer
Senão que a noite castiga
Quem procura uma cantiga
Que não é de adormecer

Poema de amor e morte
No reino da Dinamarca
Ser ou não ser eis a sorte
O resto é silêncio e dor
Poema que traga a marca
Do Castelo de Elsenor

Quero o poema que me dê
Aquela música antiga
Da Provença e da Toscânia
Vinho velho de Chianti
Com Ezra Pound em Rapallo
E versos de Cavalcanti
Ou Guilherme de Aquitânia
Dormindo sobre um cavalo

E com ele então dizer
O meu poema está feito
Não sei de quê nem sobre quê

Dormindo sobre um cavalo

Quero o poema perfeito
Que ninguém há-de escrever
Que ele traga a estrela negra
Do canto e da solidão
Ou aquela toutinegra
De Camões quando escrevia
Sôbolos rios que vão

Que venha como um destino
Às de copas às de espadas
Que venha para viver
Que venha para morrer
Se tiver que ser será
E não há cartas marcadas
Só assim poderá ser
O poema que não há

Manuel Alegre, in "Babilónia"

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

ÀCERCA DO PLENÁRIO DE ONTEM

Entendo perfeitamente que a frustração deixada pelos fracos resultados das autárquicas levem à tentação fácil de despejar amarguras pessoais e até à tentativa de responsabilizações. Entendo perfeitamente… Mas já não entendo que depois de todo este tempo que já tivemos de reflexão, se continuem a lamber feridas ao invés de as deixar cicatrizar. Não entendo que se criem situações de oportunismo para ataques pessoais mal disfarçados e até, nalguns casos, para auto-desculpabilizações de atitudes e de tomadas de posição ( a meu ver ) indesculpáveis. É por demais evidente que terá que ser feita uma análise muito profunda de causas-efeito. É por demais evidente que ( eventualmente ) errámos nalgumas estratégias. Mas o que importa é estar de peito aberto, de militância activa, de vontade mais forte que nunca para as batalhas que aí vêm. E é precisa humildade para assumir a necessidade da aprendizagem autárquica que nunca fizemos e urge ser feita. È fácil criticar mas devemos lembrar-nos que a crítica só faz sentido quando é construtiva. Treinadores de bancada já chegam no futebol…!

Paulo césar